Maria Eugênia Arantes Gonçalves
O atual Ministro da Educação, Aloizio Mercadante, manifesta seu propósito de modernizar os métodos de ensino através da inserção de tecnologias no dia a dia escolar. Segundo ele, a intenção é promover uma educação digitalizada - partindo dos professores -, existindo inclusive uma chance de integrar o ensino superior a um sistema de tecnologia e ciência. A razão desse novo método seria a criação de uma escola mais saudável, dinâmica e atraente, que diminuísse a evasão nos anos superiores e ganhasse maior dedicação, além de abrir portas àqueles alunos com pouco acesso à computadores em seu dia-a-dia.
Como muito inteligentemente ressaltou Aloizio Mercadante, professores e alunos pertencem a séculos diferentes. No entanto, a passagem dos anos é a menor das distâncias. Considerando que a transformação dos meios se acelera mais e mais, os jovens alunos já passaram por mais mudanças de hábitos, moda e tecnologia do que seus professores e pais em sua idade, e assim os professores permanecem muitas eras atrasados em relação aos pupilos, muito mais ativos do que eles na maioria das ocasiões. Justamente por isso, o Ministro encontrará um obstáculo de mais difícil transposição do que apenas a instalação de computadores ou tablets no ensino público. Esse obstáculo será a ligação entre o educador e o aprendiz, uma ligação clara e direta que ultrapasse a difícil adaptação dos primeiros com a tecnologia, assim como o desinteresse dos últimos com sua visão pessimista em relação à escola.
Nesse sentido, haverá espaço para falhas no projeto. Em todo seu discurso, o Ministro não falou em um sistema de capacitação do corpo docente, em qualquer forma de preparo e adaptação de seu método tradicional em relação à nova forma a ser adotada. Muitos professores, quando vêem-se obrigados a lidar com computadores ou projetores, por exemplo, sentem-se diminuídos perante seus alunos devido à sua inabilidade. Da mesma maneira, o sistema educacional ainda em uso dificilmente ultrapassa as defesas dos alunos e, quando encontram-se em dificuldades, acabam descobrindo ser mais fácil desistirem do aprendizado do que persistirem em tarefas que acreditam estar além de sua competência. A questão psicológica é mais complicada do que a tecnológica, porém não parece estar entre as urgências a serem tratadas por Aloizio Mercadante, e isso pode se mostrar um grande empecilho à implantação de suas políticas educacionais, pois influenciarão diretamente o rendimento em sala de aula.
A escola é o primeiro ambiente em que cada indivíduo se vê verdadeiramente obrigado a lidar com diversidade e desafios em sua vida, sendo o que o coloca em contato com situações de sua vida no futuro. Esse aspecto torna interessante o desejo de digitalizar o ensino, pois trará às crianças, desde muito cedo, o contato com ferramentas de que se utilizarão por todo o decorrer de sua carreira. Ao mesmo tempo, os profissionais de hoje foram jovens com acesso não tão intenso à tanta tecnologia, e pouco sabem dela além do básico inserido em seus cotidianos. Levar computadores à sala de aula trará inúmeros benefícios e será uma forma original de aproximar professores e estudantes em um ambiente verdadeiramente atraente e interessante, mas requer mais do que aparelhos modernos e potentes. Requer a construção de uma ponte até os alunos, requer a capacitação de professores, requer a atualização de todo o método seguido. Requer mais do que máquinas. Requer Educação.
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